– Há! Viu só? Aquele verme vagabundo se ferrou!

– Di-ma-is! O favelado merece é dá rolezinho com o capeta.

– Pô, galera. Isso aí é preconceito, é apartheid.

– Larga dessa, fio. Pobre da pior espécie é o que não sabe nem reconhecer o seu lugar. O diabo que os leve.

Os maluco filhinho de papai se divertia nos shopping e nos Fêici, falando de nóis. Tá valendo. Nem pra separar os lóki que só estraga dos que só quer opção de lazer. Comigo aqui partiu, que é levar as flor pro mano no cemitério.

Chegando lá, tava maior rebuliço. Era rolezinho no cemitério. Dei um salve pros chegados do funk das quebrada. Me chamaram prum canto, tomá uns gorozinho, fumá uns narga, que nem das festinha de antes.

– Sabe da boa, mano?

– Sei não. Cê é lôko. Por que o povo amontoado aqui?

– Nada. Chega mais. O esquema é que os cara deram boa ideia, tá ligado? Achamo a entrada, vamo falar com o capeta. Combinado. Agora é rolezinho no Inferno. Muito mais da hora. Ó, tem loja de marca, tem mulher pra pegar, que isso sim.

Não passou 10 minuto, veio os guarda do Inferno. Falaram que a gente tava criando tumulto cantando nossos funk. Que tinha pivete assustando chifrudo e chifruda. Incomodando os negócio e os lazer dos cara. Que ali era propriedade particular, porque uns já tinha chegado antes e comprado aquilo tudo lá.

Devia ser pra pegar um bronze aí dos Inferno, cambada de invejoso. Só que pegar uma cor é fácil procês: sai dos shopping e vem pra nossa quebrada. É ao ar livre mesmo.

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