Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Schroedingers_cat_film.svg
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Clarissa Cerejeira – agora conhecida como Clarissa das Sete Vidas – não teve um começo de vida muito notável. Em verdade, ela só começou a se diferenciar quando tentou pôr fim à própria existência. Não há muitos registros da vida prévia dela, mas sabe-se que ela era uma psicóloga, apesar de não lidar bem com as pressões da carreira. Numa tarde de dezembro de 2013, a resistência da psicóloga se deparou com seu limite. Após ter que lidar com uma mãe que tinha perdido a filha, Clarissa Decidiu pular do seu escritório.

A cena de uma mulher debruçada sobre o parapeito atraiu quantidade anormal de transeuntes, que certamente não imaginavam estarem prestes a presenciar o que muitos consideram como um verdadeiro milagre dos tempos modernos. Após alguns minutos de expectativa o pulo foi dado. Para surpresa de todos – inclusive da própria psicóloga – Clarissa sobreviveu ao impacto. A jovem sofreu diversos traumas, mas conseguiu  resistir até a chegada do socorro – que, felizmente, já estava a caminho.

Foi somente no hospital, todavia, que a saga de Clarissa começou a demonstrar sua verdadeira natureza.

Após algumas semanas de recuperação, Clarissa tinha recobrado funções motoras o bastante para tentar mais uma vez cortejar a morte. Como da última, vez, da forma mais teatral possível. No natal, quando todos os seus companheiros de quarto estavam dormindo, a moça rastejou até a janela e se jogou mais uma vez rumo a um fim rápido e sujo. Dessa vez, ela nem chegou ao chão. Sua camisola se enroscou em uma árvore, e lá ela ficou presa até o amanhecer.

O cuidado com ela foi redobrado, adiando em meses uma terceira tentativa.

Em uma gravação que já foi vista por milhões de internautas, Clarissa, chorosa, aparece reclamando da vida, do universo e tudo mais. Após quinze longos minutos de discurso, ela puxa um revolver, o põe na boa e puxa o gatilho… Apenas para ouvir o som seco de um engasgo. Em um rompante de fúria, ela joga a arma para longe e vai correndo até a cozinha. Logo ela volta com uma faça e, reclamando que o universo está conspirando contra ela, a enfia no peito. O golpe, todavia, não teve nenhum efeito além de fazer a menina se jogar no chão de dor até que o resgate – mais uma vez evocado pela massa anônima – a socorresse.

Essa singela gravação marcou o inicio da carreira de Clarissa como a mais peculiar figura humana do planeta.  Aos poucos, ela  atraiu uma legião de seguidores. Muitos religiosos a consideram como um milagre ambulante. Desde aquele dia ela já tentou se matar das mais diversas formas possíveis, inicialmente por teimosia, depois por dinheiro e por fim por desespero.

Hoje em dia, beirando os 270 anos, Clarissa pode se gabar não só de ser a mulher mais velha do mundo, de ter revolucionado diversos campos da ciência e ter sobrevivido a, dentre outras coisas, uma bomba de anti-matéria, mas também de ter finalmente encontrado a paz interior. “Acho que fiz o que fiz” – diz ela com a ajuda de implantes “por que achava que minha existência não tinha sentido. Mas agora… eu vejo que ela tem alguma razão de ser, por mais absurda que ela seja.”.

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