Por Fábio Terre

– Uma pizza é tudo o que eu queria.

– De qualquer sabor?

– Como de qualquer coisa, até de rã ou perereca.

– Meu Deus, se a gente achar a tal perereca você vai comê-la?

– Vou.

– Quarenta mil reais gastos nesta expedição e quando acharmos o raio da criatura…

– Saberei que gosto tem um anuro fosforescente.

– Nossa! Vamos parar com essa palhaçada e ir trabalhar. Onde posicionamos as armadilhas?

– Ali mais adiante.

– Está bem… Vai indo que vou checar a lanterna aqui rapidinho…. Cadê você, lanterna? Cadê você? No fundo da mochila não está, na necessaire também não…     

– Catarinaaaaaa! Achei!!!

– A lanterna?

– A perereca!!

– Onde está?

– Aquele ponto luminoso ali.

– É verdade, Maurício!!

– Vamos chegar perto devagarinho… 

– Vamos.   

– Será que ela é fria?

– Seremos os primeiros a descobrir.

– Talvez seja quente.

– Talvez gelada.  

– Vamos, estamos pertinho…

– Devagar… Devagar… VAI!!

– Ahhh peguei! Ops, escapuliu! Como é ágil, ein?!

– Vai, Maurício, tente pegar de novo.

– To tentando, to tentando, mas ela é rápida. Olha, pulou lá pra longe.

– Ah meu Deus, ela caiu numa teia de aranha…

– E que teia…

– E que aranha… Caranguejeira! Nunca vi uma desse tamanho! Vamos nos afastar!

– Vamos sim!

– Filmou tudo, pelo menos?

– Não.

– Putz, nem com o celular?

– Eu não fico andando de celular no meio da Amazônia, Maurício!!

– Ai ai, uma aranha comeu nossa perereca. Inacreditável. Vamos voltar para a monotonia no meio do mato de novo.

– Ta com inveja da aranha?

– Você merece levar uns tapas, sabia?!

– Ah, mereço é?! Então vem dar, bobão!

– À noite, na barraca, eu resolvo isso…

– Humm. Mas me diga, você encostou na perereca, né? Ela é quente ou fria?

– Morninha.

– Pelo menos isso sabemos.

– É verdade. Mas uma coisa me preocupa mais agora.

– O que é?

– Aquela aranha.

– Ah é, ela pode nos atacar!! Muito bem pensado!!!

– Dãããã… não, Catarina!!!! Ela pode comer mais pererecas!! To estressado. Chega por hoje.

– Chega mesmo.

Aranha

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