Por Priscila Tessuto

tessuto-luz

– Liga a câmera, Rafael!

– Pra quê Simone? Estamos no meio do mato, há três dias e nada.

– A hora que a gente entrar com este furo, você vai me agradecer.

– To cheio de lama… Dormindo em barraca… Tô com dor…

– Por que você veio então?

– E eu tinha escolha? Ou era a perereca que brilha ou o cara que come vidro.

– Então não reclama! Eu tenho certeza que é por aqui…

– Se fosse no cara do vidro já estava em casa…

– Vamos mudar o acampamento!

– Ele podia comer vidro em qualquer lugar…

– Eles disseram que era nesta região.

– Podia ser numa pizza!!!

– A gente precisa explorar mais!

– Eu mesmo preparava.

– Preparava o que?

– A pizza.

– Que pizza?

– De vidro.

– Liga a câmera…

– Por quê?

– Olha lá…

– O quê?

– Aquela luz…

– Onde?

– Lá Rafael… Lá longe

– Que que tem?

– É a perereca fosforescente!

– Não é nada! É uma lanterna!

– Parada daquele jeito…

– Vou jogar uma pedra…

– Não! Tonto! Vamos chegar lá, de vagar. Ligou a câmera?

– Rafael? … Rafael?! Rafaeeeel?? Que merda…

E a luz sumiu.

 

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