Bolinhas de vidrinhos
Vidrinhos enrolados
Com eles sou feliz
Nada mais preciso não

Fica assim não, meu pai
Eu já vou chegar
Fica assim não, minha mãe,
Eu já vou chegar

Tonterias, tonterias
Alarmado já me vou
Não sei o que me assombra
Mas sei o que faz rir

Bolinhas de vidrinhos,
Vidrinhos enrolados
Garantem meu sustento
E muitas diversões

Num vidrinho vai meu pai,
Outro guarda minha mãe
Em pozinhos convertidos
Carne e ossos não são mais

Quem levou vocês a outro mundo
Não perde por esperar
Vigio estas fronteiras
Como quem não pode esperar

Meu rosto de aflição não mente
Amargura não posso aguentar.
Rodeado de vidros prossigo
Pronto pra morrer

Não sei o que me deixa tão triste
Mas sei o que faz rir.
Não sei o que não vejo
Porque medo tenho tanto

Bolinhas de vidrinhos
Um velho mago deu
Truquezinhos incessantes
Elas mostram sem parar

Faíscam, alumiam e estouram
Alumiam, agulham e abençoam
A bênção, pai
A bênção, mãe

Pai e mãe me acompanham
Portáteis o bastante
Vou agora à minha luta
Contra meu grande inimigo

Lá vou eu a esse monstro
Tão brilhoso e retilíneo
Vou eu com minhas armas
Quebrá-lo sem piedade

Vingança pelo que fez:
Minha palavra de ordem
Arremeto-me contra ele
Espatifo-me contra eu mesmo visto ali

Me estilhaço em mil peças
Vingança está cumprida
Mamãe, papai
Perdoem seu filhinho traidor

Mas traição foi inspirada
Por vidrinhos
Em cabeça oh, que imatura
Por sede de autonomia – agora tenho ela demais

Bolinhas de vidrinhos
Maldito velho que as deu
Vidrinhos de maguinho
Enrolaram
Ah, esse velho me enrolou

 

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