BlobServerEnquanto isso, na década de trinta, em uma cidadezinha mais imaginada do que lembrada…

Hortência estava esperando por sansão há três horas, mas ainda sim ficou supressa quando ele finalmente chegou.

— Você veio, Sansão! — disse ela, se levantando com o banco. Era estranho ver o dito homem mais forte do mundo fora do seu palco no circo, mas que visão! — Você não sabe como eu estou feliz em te ver!

Ela correu até ele arrastando suas malas e o abraçou. Ele ia a abraçar e dizer que agora ela nunca mais teria que se preocupar com ser marido chato, Eustácio, ou com aquela cidadezinha. E então os dois iam partir de trem rumo ao pôr-do-sol Mas ao invés disso, ele falou apenas uma palavra.

— Desculpe? — disse ele, a empurrando gentilmente.

Hortência o encarou, e por um momento não soube  dizer qual dos dois parecia mais confuso.

— Eu vi sua carta. — disse ela, por fim. — Dizendo “Ao meu amor” que você tinha se apaixonado a primeira vista e que queria que eu fosse com você. — Eu estou aqui, Sansão, só para você.

Uma expressão de horror dominou o artista. Antes que ele pudesse falar algo, todavia, alguém o interrompeu.

Mas que palhaçada é essa? — Perguntou uma voz familiar, demasiado familiar.

— Eustácio — disse Hortência se virando. Ao encarrar o marido, memorias miseráveis dos seus cinco anos de casamento fracassado a dominaram. — Sansão, bata nele!

Eustácio apenas riu.

— Distraída até o fim, né Hortência?  — disse Eustácio, indo até sansão.

— Vocês estão de sacanagem — Disse ela, derrubando as malas. — Vocês têm que estar de sacanagem.

Eustácio se aproximou dela e apegou pelos ombros.

— Querida, eu sempre… — começou ele, para então empurrar a esposa para trás.

— Corre, Sansão, Corre! — Gritou Eustácio, indo para o trem.

Hortência não se levantou, nem quanto o trem partiu. Mas o longe ela ainda teve a alegria de ver o casal partir.

— Não se preocupe mais, Sansão, essa mocreia nunca mais vai ficar entre nos dois. — disse ele, abraçando o amante enquanto o trem se perdia no pôr-do-sol.

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