Pela janela, o comandante via a olho nu três pequenos cometas que estavam fora da rota da Terra e que de lá somente potentes telescópios poderiam identificar. À direita, pairavam Orion, Capela e galáxias espiraladas que pairavam com sua visibilidade extraterrena. Isto aumentava-lhe a convicção de ser um privilegiado. Mas aquele pálido ponto vermelho que se tornava maior e marrom, pouco a pouco, era o foco de sua vontade. Marte se aproximava e a humanidade estava dando mais outro grande passo através de pequenos passos de astronautas.

O comandante Andrew Tarkovsky Borges já havia praticado em simuladores, centenas de vezes, aterrissagens em Marte. Sabia perfeitamente o que fazer, mas o significado daquele pouso injetava-lhe um nervosismo descomunal. A nave sobrevoava o planeta, suas famigeradas planícies. A estética das crateras lhe impressionava mais do que Dalí. Mais adiante a visão do Monte Sharp indicava que havia chegado. Contornou-o e surgiu a notável base espacial Vedder, que havia sido construída por engenheiros de várias nacionalidades e reconstruída três vezes por conta de asteroides. 436 astronautas os aguardavam ansiosamente.

Enquanto a nave cruzava tempestades na atmosfera venusiana, o sistema de comunicação foi danificado por detritos arremessados por ciclones que se formaram e desapareceram subitamente. Desde então, não se pôde transmitir a primeira vez que o homem lá esteve. A nova arqueologia, que foi desenvolvida quando se investigava (em vão) resquícios de civilização marcianas, agora foi muito útil em Vênus. Ninguém, a não ser os 15 tripulantes, sabiam dos artefatos alienígenas lá encontrados, dos túneis com hieróglifos circulares, das espirais de gás hélio que brilhavam sob o pôr do sol e das ondas de raio alfa, que se repetiam a cada 18 minutos. Estavam prontos a contar o mundo a grande descoberta. Deveriam voltar à Terra, mas por trazerem consigo amostras arqueológicas, o procedimento indica que retornem primeiro à Marte, por conta de quarentena afim de evitar alguma reação química adversa ou micro-organismo alienígena.

Em breve, ao anunciar para a humanidade que houve (ou há) vida em Vênus, o que eles imaginaram ser o futuro, se tornaria o presente. Mas, comumente, o presente tem sido superado e se tornado passado numa velocidade impressionante.

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