COMESMAL NEWS                                                                                                                               Novembro, 2014

Loucura ou Sadismo?

         

Leonardo Nunes, 33 anos, internado na Clínica Psiquiátrica São José desde os seus 19, após incidente na universidade onde estudava, teve alta nesta última sexta, 07. No quinto semestre da faculdade, em 2000, Leandro agrediu brutalmente quatro estudantes e matou sua professora, Maria Callo Peña, após um acalorado debate artístico-político sobre vida e obra de Máximo Gorki. O caso ganhou repercussão por ter ocorrido na única faculdade da região que atende municípios como Santana do Ubiqüera, Conglerado e Tuinha do Norte. “Todos conheciam o Leo, ele sempre foi um rapaz muito tranquilo” relata Semira de Alcântara Costa, ex-namorada do estudante.

Leonardo participava de um núcleo de debate, organizado pelo grupo de teatro formado por estudantes do curso de Artes Cênicas na Faculdade São José, na cidade de São Comesmal, em Arapuí. Os colegas estranharam quando o estudante apoiou a cabeça na mesa e se isentou da discussão por quase dez minutos. “Leo era participativo. Seu livro era cheio de anotações que ele deixava para o dia do Núcleo”, lembra um amigo que não quis ser identificado. O grupo estranhou o silêncio de Leonardo e perguntaram se estava tudo bem, se não participaria do debate. Testemunhas contam que o estudante levantou e começou a andar pela sala, falando sozinho. “Era como se ele discutisse com ele mesmo. Dizia que não podia aceitar, que não podia mais dar ouvidos a tanta ladainha”. F.R., uma das vítimas da agressão, relata que nas duas últimas semanas, as discussões do grupo foram intensas e que, constantemente, Leonardo discordava da professora responsável pelo núcleo de estudos. “Algumas vezes ele gritava, dizendo que ela estava errada, que não conhecia Gorki. Dizia que ela estava difamando sua memória e sua história de luta e resistência”.

Segundo o relato, a professora estranhou o comportamento de Leonardo e vinha pedindo que se acalmasse ou se afastasse do núcleo por algum tempo. Os outros estudantes se afastaram do colega após postagens em redes sociais que os acusavam de traidores, difamadores e que jamais poderiam exercer a profissão. Semira lembra do namorado Leonardo repentinamente introspectivo, envolvido somente com seus escritos e livros do autor.

 “Nada mais fazia sentido. Ele acusava a professora Maria Callo de transformar Gorki num romancista barato, autor de novelas”.

       O fanatismo levou o jovem à barbárie. No que seria a última tarde de estudos do núcleo, Leonardo atingiu a namorada Semira na cabeça, com um pesado volume de O Capital, do comunista Karl Marx. A colega e hoje atriz Clara Pêgaro de Souza, que não comenta o incidente, teve uma cadeira quebrada nas costas.  F.R. e Clemilton Alos foram atingidos com cadeiras, mesas e livros comunistas que preenchiam a sala de estudo. O agressor atingiu a professora com uma caneta vermelha na garganta, no que foi chamado por seu advogado de um simples “surto psicótico”. Escapou da cadeia com este argumento, e foi encaminhado para tratamento na Clínica Psiquiátrica São José. Diagnosticado como esquizofrênico, os médicos garantem que as vozes não eram de Máximo Gorki, mas produzidas pela mente de Leonardo. “A doença pode ter sido desenvolvida pelo intenso envolvimento do jovem nos estudos políticos e dramáticos” explica o médico cubano Alonso Ernesto. “Conversamos anos sobre o ocorrido num tratamento intenso. Agora medicado, Leonardo não é uma ameaça” completa o imigrante.

As últimas postagens de Leonardo em sua página no facebook mostram a obsessão pelo autor e a influência odiosa do comunismo: “Aleksei tem aparecido, falado comigo. Me explica suas obras e as pessoas se recusam a acreditar. Preciso manter o foco”. E a última, antes do encontro: “Ah, o ódio não cessa desde 1887!!! Não se entende de comunismo, jamais se entenderá de Aleksei Maksimovich Peshkov!!

A nós, moradores de Comesmal, nos resta torcer que esta onda de ditadura comunista no Brasil, não anime Leonardo para novos crimes de ódio. E que os médicos, cubanos ou não, não desistam de acompanha-lo, pois, já que a polícia abre mão de seus casos, empurrando a outros setores, nós enquanto cidadãos de bem, pagante de impostos, não podemos mais tolerar crimes metropolitanos como este.

Da redação, Suzanne Mernas.

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