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Era uma vez, em uma terra muito distante, um reino que era conhecido pela sua prosperidade e pela bondade dos seus governantes. E não haviam ninguém mais bom e justo do que a família real. O rei, todavia, se sentia próximo ao fim da sua história, mas não tinha certeza se sua filha seria capaz de governa de forma justa.

Um dia, todavia, os céus providenciaram um desafio à altura de uma futura rainha.

— Venha comigo, filha amada. — disse o rei, com um sorriso cansando no rosto. — Os céus providenciaram seu teste.

Na praça do castelo, uma cena de quase desastre: Um dragão no meio da praça! Os guardas com as lanças e bestas preparadas para o combate, o dragão com as garras e presas à amostra, cada um esperado pelo movimento do outro.

— Princesa — começou o chefe da guarda — devemos matar a…

— Tendes piedade do teu súdito, majestade! — interrompeu o dragão.

Um grande momento de silêncio dominou a praça, pois não era normal que dragões mostrassem lealdade… Ou que fossem sinceros.

— Meu súdito? — perguntou a princesa, gesticulando mais do que devia.

— Sim, teu súdito — respondeu o dragão, quase dando um sorriso. — Pois eu estava dormindo nas terras da sua família há muito tempo, e agora que acordei vim prestar lealdade à senhora.

Outro silêncio se seguiu. A princesa se virou ao pai em busca de uma resposta, mas ele estava impassível. O dragão aproveitou.

— Nenhuma boa senhora executaria um súdito só porque ele é diferente dos demais!  Não sou teu súdito, Majestade? Não tenho eu direito à tua misericórdia? Ou será que vossa majestade princesa é uma tirana que se deixa enganar pelas aparências?

Os guardas, por quase instinto, ergueram as bestas.

— Se vais me tratar tal qual uma fera, como uma fera agirei — disse o dragão, com fumaça saindo das ventas.

Com o pai olhando, com o coração pesando, a princesa fez que o dragão fosse embora em paz.

No dia seguinte o teste continuou. A manhã começou com um camponês ofegante na corte, implorando por ajuda.

No campo, uma cena terrível: um dragão um rebanho de ovelhas!

Antes que alguém se pronunciasse, o dragão falou.

— Nenhuma boa senhora executaria um súdito só porque ele precisa comer! Não sou teu súdito, Princesa, não tenho direito a sua misericórdia? Ou será que a princesa é uma tirana que vai deixar seu súdito morrer de fome?

— Mas esse é o ganha pão de uma família! — Protestou a princesa.

Os guardas mais uma vez sacaram as espadas, e o dragão mais uma vez não perdeu um instante.

— Se vais me tratar tal qual uma fera, como uma fera agirei — disse o dragão, com fumaça saindo das ventas.

E então, mais relutante, a princesa ordenou que o dragão partisse em paz.

No dia seguinte, quem chegou no castelo chamado pela princesa… foi o dragão!

— Eu desejo te levar para o meu covil, princesa.

A corte ficou em choque, e o dragão novamente aproveitou a deixa.

— Não sou teu súdito, donzela? Não tenho direito a sua misericórdia? Ou será que tu es uma tirana que via negar ao seu súdito o desejo mais profundo do coração dele?

Em resposta os guardas ergueram armars

— Se vais me tratar tal qual uma fera, como uma fera agirei — disse o dragão, com fumaça saindo das ventas.

— Não tens nada a temer, súdito meu — disse a princesa, que já previa isso, fazendo um gesto de reverencia. — Pois não sou uma tirana e tu não fizeste nada de errado. Só vim para anunciar que tenho alegremente aceitarei sua oferta.

O dragão sorriu, e já se preparava para agarrar a donzela, quando ela fez que ele parasse.

— Todavia, deves compreender que eu sou uma princesa, e que tu não tens sangue azul, logo, deveras passar por algumas tarefas para provar teu mérito.

O dragão, talvez pela primeira vez desde que ele tinha entrado na cidade, hesitou.

— Não sou tua soberana, Dragão? Não tenho eu o direito de exigir tua lealdade, servo? Ou será que és uma besta? — Se vais agir tal qual uma fera, como uma fera serás tratado — disse a princesa, sacando sua espada junto com os guardas.

— E que testes seriam esses, vossa majestade? — disse o dragão, se curvando a contra gosto.

Lavar os estábulos. Caçar para os servos. Guiar os rebanhos. Lutar em guerras. Ajudar a construir casas….

De tarefa em tarefa, de lição em lição, o dragão foi diminuindo de tamanho e perdeu as assas para começar a andar sobre as duas pernas. Suas presas deram lugar a dentes e suas escamas caíram. De tarefa em tarefa, de lição em lição, o dragão virou, se não um príncipe encantado, ao menos um humano.

E todos viveram felizes para sempre.

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