Não lhe vinha ideia para escrever. Os dragõezinhos fizeram greve por melhores condições de trabalho. E assim, ficou sem seus personagens de costume. Não lhe vinha história alguma para escrever. E precisava desesperadamente de uma história. Caso contrário, sofreria pesadas consequências.

É certo que ficou dependente dos dragões. Sim, ficou viciado nos dragões. Não, na verdade queria apenas escrever uma série, era esse seu sonho… E imaginou, que de conto em conto, quem sabe isso poderia enfim se tornar realidade. Seja lá o que for, desta vez não era possível, porque Krohli e Nisha estava de greve. Bem, podia recorrer a Jorginho, o pequeno cavaleiro que interagiu com Krohli recentemente. Mas Jorginho estava com preguiça de levantar da cama.

E agora? Não tinha história. Não tinha história. O autor saiu de casa, pra tentar obter alguma inspiração. Estava tudo escuro. Não conseguia ver nada. Nem flores, que abundaram tanto ultimamente, havia mais. Nãohavia luz. Não havia gente. Não havia nada.

escuridao

Até que esbarrou em alguém. Ou algo. E perguntou:

– Opa, quem é? Aliás, desculpe esbarrar, foi sem querer.

Em resposta, apenas um tímido rugido. Espera, tímido rugido? E… umas centelhas escapando.

– Krohli? – Perguntou o autor, surpreso..

– É, sou eu mesmo – Respondeu o dragãozinho.

– Ué, pensei que você estivesse de greve hoje e não ia participar de nenhuma história – o autor apontou. .

– Isso, mas esta conversa não faz parte da história – opôs Krohli, certeiro.

– E o que você está fazendo aqui então?

– Vim protestar.

– Protestar? – o autor se surpreendeu.

– É. Você é a razão de eu ser medroso.

– Não, eu…

– Você é a razão de eu não saber voar direito, nem cuspir fogo direito, como um dragão de verdade – continuou o dragãozinho, sem deixar o autor se explicar.

– Bem, mas acontece que…

– Minha irmã mais nova fica com a fama de mais corajosa e poderosa, enquanto eu, o dragão mais velho… fico com essa reputação de fracote! – Krohli estava mesmo bravo.

– Krohli, Krohli, mas será que você não entende? É importante que você seja assim.

– Importante pra quem? – perguntou o dragãozinho, bravo.

– Para a história! Se você fosse só mais um dragão valente cuspidor de fogo, seria normal, comum, era o que se esperava. Mas um dragãozinho como você, aí já é diferente. Você é especial, chama a atenção.

– Jura? – o dragão pedia confirmação, hesitante.

– É claro! Agora, vem, vamos logo para sua próxima história então, vai…

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