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Calíope sentia um arrepio aterrorizante toda vez que lhe pediam o nome. Pudera, seu pai não podia ter lhe dado nome normal de gente, precisava ter escolhido a dedo um nome estranho da mitologia grega, que ele muito apreciava.

Toda vez que ralhava com ele, a moça escutava uma longa palestra sobre a importância das musas na mitologia e que seu nome era o da musa da eloquência. Devia se sentir honrada pelo nome, isso sim. Queria se chamar como? Cleide? Maria? Nada contra os nomes, mas é que o pai achava muito comuns, ordinários demais. Sua filha devia se destacar entre as mortais e com nome comum não ia acontecer.

Fato é que não havia o que fazer com o nome, se não aturar, chorar e brigar. Na escola, as amigas já sabiam que ela devia ser chamada de Cali, variante menos esquisita do nome, mas era alguém mencionar o nome completo da garota que ela se transformava em fera, especialmente quando a palavra causava risadas. Se fosse pelo temperamento, mais fácil seu pai chama-la de Atena, porque estava muito para deusa da guerra do que para musa das ciências.

Já tinha fama pelo gênio intempestivo e planos de mudar o nome para sempre quando entrou na turma um tal Apolo, garoto bonitão, corpo de academia e charme de deus grego mesmo.

Podia até ser que o sujeito não soubesse nada de mitologia, mas foi saber do nome de Calíope, que ele soube exatamente como puxar assunto. De romances mitológicos para o real não demorou e logo os dois pombinhos estavam grudados um no outro.

O Ensino Médio terminou, Calíope, a eloquente, foi cursar letras e passou a ostentar orgulhosa o nome, contando a todos o causo dos nomes gregos, dos personagens.  que os tinham inspirado e da forma como ela e seu Apolo tinham se apaixonado.

No final das contas, o nome deixou de ser problema, até Apolo conhecer um tipinho meio Afrodite…

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