Ele acumulava tristezas azuis. Como seu mar de lágrimas formado, refletindo as cores do céu.

Desejava um fim vermelho para breve. Já que não suportava mais seu turbilhão azul, que o sufocava.

Reviu lembranças verdes de sua antiga companheira. De um parque que ficou marcado pela memória de sua presença. Até houve outras azuladas companhias, mas ele se avermelhava ao lembrar da quebrada aliança.

Branca era sua filha perdida. Negra, sua paz de espírito. Azul flagrante lhe despontava na pele, alternado pelo vermelho. Verde lhe inchava nos olhos.

Cinzentas eram as aulas que frequentava, só para obter seu vaidoso título. Marrom desgrenhado, seu trabalho pontiagudo, que lhe feria vermelho. Azulava-se em seu descaminho nada verde. Enegrecia sua alma e seus olhos se esbranquiçavam.

Perguntava-se quando e se faria de sua vida um colorido feliz, bem composto novamente. Aprendera ao estudar pintura que não adiantava usar todas as cores, se não fossem bem utilizadas. Composição cromática era o nome disso.

“Paciência”, lhe diziam, amarronzados. E dá-lhe brancas cápsulas supostamente antidepressivas. Mas perdido entre impulsivos desvios de sua rota falhada, rôta róta manchada e amarelada, percebeu que a vida manchada não se apaga, e não viu com seus olhos cinzentos outra escapatória, a não ser abreviar seu sofrimento de suas tolas cores infernizantes.

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