O menino acordou bem assustado, de madrugada. Seu pai estava ao lado da cama, logo acima dele, grunhindo, de olhos fechados e de braços estendidos em sua direção.

– Pai? O que você tá fazendo?

O pai não respondeu, apenas se aproximou mais e abriu a boca, arreganhando os dentes.

O menino se levantou e pulou pro chão, no outro lado da cama. Correu para fora do quarto. O pai foi atrás, batendo-se contra móveis e paredes.

– Mãe! O papai tá maluco! – gritou o meino. – Cadê você?

A caminho do quarto dos pais, o menino passou pelo quarto da irmã.

– Marquinho! – chamou ela, de dentro do próprio quarto. – A mamãe me mordeu! – avisou, mostrando o braço machucado.

– Caramba! – respondeu o irmão. – A mãe e o pai ficaram malucos?!

E avistou a mãe, de olhos fechados, cambaleando atrás da irmã, que vinha juntar-se ao irmão. Este pega na mão dela e a leva em direção à sala e à porta da rua.

– O que aconteceu com a mamãe? – perguntou a menina, preocupada.

– Sei lá! Que jeito de acordarem a gente!

– Será que eles não jantaram direito ontem e estão com fome? – questionou ela.

– Pode até ser, mas isso não é motivo pra virem morder a gente, né? – respondeu o irmão, enquanto abria a porta da sala.

As crianças fogem.

Uma hora depois, o despertador toca. Os pais acordam e se levantam da cama. Procuram os filhos em seus quartos, mas não os encontram. Ouvem sirenes da polícia do lado de fora.

Vão tentar conversar com os policiais, explicam que não estão sabendo de nada, pois acabaram de acordar. Na verdade gostariam de pedir a ajuda deles a respeito do desparecimento de seus filhos.

Os policiais mostram os filhos logo atrás, estes demonstrando medo. Vão até a geladeira da família, verificam que está vazia.

– Acho que vocês precisam cuidar melhor da alimentação de vocês…

Passando pela sala de volta, observam ainda DVDs de uma série de zumbis.

– Por acaso vocês estavam assistindo isto ontem à noite? – perguntam aos pais.

– Sim, qual o problema? – responde o pai.

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