Era sempre assim: o monstro tentava fazer amizade com as pessoas, mas elas saíam correndo, afastando-se. Ele era feio e assustador, e jamais ia fazer amigos ou arrumar uma namorada. Ele devia se conformar com isso, mas era muito difícil.

monstro triste

Ele resolveu se esconder numa caverna subterrânea. Talvez ali ao menos ninguém mais se assustasse com ele. Ficaria isolado e perdido para sempre.

No entanto, ele foi localizado por um maluco malfeitor que desejava tomar a cidade. Dominou a mente do monstro, deixando-o irritado e descontrolado, e o fez crescer, até ficar gigante, com um raio agigantador.

E lá foi o monstro atacar a cidade. As pessoas, aí sim, ficaram realmente desesperadas. Até apareceram heróis para salvar o dia; munidos de seus respectivos robôs gigantes, foram atacar com uma parafernalha tecnológica. Mas o monstro era forte demais para eles. Foram derrotados.

Um dos heróis, no entanto, acabou percebendo uma lágrima no monstro. Resolveu usar seu minijato para chegar bem perto dos ouvidos dele. E falou:

– Ei! Tá tudo bem. Nós gostamos de você, viu?

A princípio, o monstro não reagiu bem. Apesar de hesitar por um momento, continuou a demonstrar fúria; e quase o minijato foi atingido.

O herói tentou novamente, usando agora amplificadores de som do veículo. Usou até um braço mecânico da mininave para fazer um agrado no monstro. Chegou um momento em que o gigante acabou por se acalmar. E foi diminuindo. O malfeitor manipulador, distante, se enraiveceu, fracassado.

Quando reduziu até chegar ao tamanho de um humano, lá embaixo, o herói, que havia pousado perto, achou que era seu dever dar um abraço no monstro – apesar de um certo asco. Apresentou a ele os outros heróis e heroínas que estavam por lá derrubados. E foram todos, pelo bem da cidade, tomar juntos umas bebidas no bar das redondezas.

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