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– Onde você está?
-…
– Su? Me conte onde você está.
– Eu… eu não sei direito…
– Olhe ao redor e me diga o que vê.
– Vejo pastagens…ao longe. Pessoas…jovens…
– Ouve o que dizem?
– Conversas de jovens. Parece uma escola.
– Você quem é?
– Eu… tenho uns livros na mão. Estou sozinha. Sentada num gramado. Espere, tem alguém se aproximando.

– Su? Está aí? Responda!
– Oi…
– O que aconteceu?
– Sou uma estudante. Estou numa Universidade no interior.
– Mas por que ficou tanto tempo sem me responder?
– Estava conversando.
– Mas eu te falei que não podia conversar com ninguém! Era só uma observação. Terá que voltar imediatamente.
– Não posso.
– O que?
– Não posso voltar agora.
– Mas você tem que voltar!
– Espere.
– Su! Su! Perdemos contato…

– Está aí? Su?!
– Estou.
– Vamos voltar. Vou te trazer de volta.
– Eu…não vou voltar.
– Como?
– Não vou voltar.
– Mas você não tem escolha.
– Já fiz minha escolha.
– Estamos perdendo contato de novo.

– Doutora? Estou entrando em contato pela última vez. Desligue meu cérebro. Vou ficar aqui.
– Não pode! O que vou dizer para a tua família?
– Diga que vivi. Eu estava morta e agora vivi.
– O que está dizendo?
– Eu nunca soube quem era, o que fazia aí, nesse tempo, nessa vida…Agora finalmente sei. Sou universitária, tenho a vida toda pela frente. A vida!
– Mas você tem uma vida aqui também.
– Não. Minha vida aí nunca existiu. Nessa vida eu nunca me encontrei. Nunca encontrei Alan. Agora estou viva, estou feliz e está tudo certo. Adeus.
– Quem é Alan?
– É quem eu procurei em todas as minhas vidas depois de tê-lo perdido nessa. Agora que voltei não vou mais deixar isso acontecer.
– Su? Su!!
– Adeus, doutora.

– Doutora, o coração dela parou de bater.
– Anote a hora da morte e procure a família. Nos documentos diz que se chama Rebeca Ramos. Overdose.
– Mas parece que morreu sorrindo…
– É…deve ter sonhado com algo bom antes de morrer.
– Uma pena…tão jovem!… Desperdiçou a vida.

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