Ela acordou, e antes de abrir os olhos, como todas as manhãs, se tocou.

Após uma longa espreguiçada, seus dedos entrelaçaram os cabelos, massageou o pescoço e suas mãos desceram apertando os seios. Sentiu doer, o que sinalizava o sangue que estava por vir.  Sua mão direita deslizou pela barriga sobre o pijama grosso de algodão até que, com as pontas dos dedos, levantou o elástico da calça, e tocou a vagina por fora da calcinha. Suas pernas já entrelaçavam ao sentir o calor, apertando o dedo médio contra o clitóris, seu quadril se elevava como num movimento espontâneo. Levou a outra mão à boca, com a palma virada para o teto, e mordia o dedo para não gemer alto, enquanto sentia a lubrificação que convidava os dedos da outra mão em seu aconchego quente. Introduziu lentamente um dedo por entre os pêlos grossos, e o retirou em seguida, massageando-se por fora até perder o controle do corpo. Virou de barriga pra baixo, se apoiou nos joelhos e depois do ápice contido, espreguiçou-se como um gato.

Ajoelhou-se na cama, abriu os olhos e se deparou com o crucifixo preso na parede, sobre a cabeceira. Sorriu tímida, fez o sinal da cruz e se levantou. Abriu as largas janelas de madeira, encarou o jardim central e, em seguida, o céu, que ainda clareava. Vestiu seu hábito, como todas as manhãs, e desceu ainda corada para reza matinal, antes do café. Madre Carmen a encarou nos largos e silenciosos corredores do convento, e não respondeu ao seu cumprimento de bom dia. Ela agarrou com força e fé o terço pendurado no pescoço, beijou seu crucifixo e voltou a sorrir, com a certeza tímida de que não havia pecado algum em começar mais um sagrado dia com prazer em estar viva.

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