Como é triste quando, depois de haver encontrado alguém… esse alguém some. Como é mesmo aquela frase do “Pequeno Príncipe”? “Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas.” Ou seria “Se tu me cativas, amanhã estarei esperando por ti. Se tu não vens… :(” Algo assim, só que sem o emoticom, pois não lembro exatamente.

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Neste momento, viajo para Belo Horizonte. Uma terra que me traz tantas recordações, de tantas e repetidas viagens… De uma menina que me cativara. Mas bem sei que o tempo dela já passou há muito tempo. Muito culpa minha, eu sei. Ou apenas assim era pra ser de todo jeito, por sermos seres tão distintos? Um tão espírito, o outro tão terra; um tão gatos, cachorros e quanto mais bichos melhor, o outro só humanos e olhe lá; um tão BH, outro tão São Paulo.

Não, não estou indo a BH tentar mais uma vez com ela. Já tive minhas chances, que eu devia julgar que fossem infinitas. Já tivemos nossas chances. Até que o destino resolveu me pregar mais uma peça… e me apresentou uma moça de ainda muuito mais longe, a quem passei a amar um amor tão bonito. E prometi a mim mesmo… e à minha atual e espero que agora verdadeira musa –  que de fato renovou minha inspiração poética, tal apreciadora de meus poemas como nunca tive! – … Prometi-nos não me reaproximar da menina de BH. Não que isso seja algo não resolvido, como minha musa sugeriu. Apenas é um passado a deixar onde está. Chega, de todo modo, de confusões extraconjugais. Já pude aprender o suficiente do quanto é sagrada a fidelidade para as meninas. Por isso Vinícius escreveu “Soneto da Fidelidade”. Esperto esse cara. Deve ter pegado muito bem com quem ele estava querendo impressionar.

É apenas uma ironia do destino, entenda bem. É muito poético. Parece coisa de filme! Que eu volte, pois, a BH. Terra de passados ilícitos amores. (E de um fácil e perigoso reencontro, se eu quisesse, mas eu não quero! Não, não quero.) …Eu volto a BH apenas para honrar um convite que tanto me lisonjeia: o casamento de um amigo. E não é um amigo qualquer, é um amigo-artista. Um amigo-celebridade. Um amigo-meu ídolo, que tanto me inspirou, que eu queria ser igual a ele quando crescesse. Minha ilusão, é claro, mas deixa-me sonhar.

Seja como for… Puxa! Como essa tal de BH fervilha de amores do camarote desta minha vida. Até voltando aqui por uma razão outra que a menina de BH… É ainda para o amor celebrar! Ainda que alheio, não o meu. Mas brindemos a ele, assim mesmo, como não?

Sinto-me assim numa espécie de limbo. Uma zona meio vazia, meio cheia, entre amores flutuantes. Talvez até entre “Espumas Flutuantes”, a lembrar do título de Castro Alves. Entre meu amor do passado, daqui de Minas; um amor do presente, ainda que de tão longe, mas presente; e até o amor de meu estimado amigo-ídolo, ao qual e a quem brindo esta noite (mas ai dele se for chata e enjoada essa tal de cerimônia, como eu sempre imaginava essas coisas quando criança!).

Minas Gerais é pra mim então uma zona interstícia. Limítrofe. Campo minado. Em cima do muro. Entre tantos amores. Pensando bem, veja só, é um triângulo amoroso. Mas calma, é só uma figura de linguagem viajante de cronista. Não cobiçarei a mulher do próximo. Apenas meu amor. Aliás, como era mesmo aquele soneto? “De tudo ao meu amor serei atento (…)” Tão atento… que isso chega até a me matar.

Ah, ironias, ironias. Não bastasse uma, veja outra. Não bastasse triângulo amoroso espacial, temos também triângulo amoroso temporal. Eis, pois, que o amor que eu julgava presente… bem a esta altura me some das vistas e ouvidos. Meu amor presente não responde à lista de chamada. E se não mais presente está, o que será? Ainda que mais que perfeito, sempre será passado, se assim for. Prefiro assim um amor não tão perfeito, mas presente, que um mais que perfeito, mas tão ausente. Pois se cativa, induz espera (sempre lembra nosso Príncipe do planetinha), e se não volta… aflige e mata o coração. Ainda mais… pra quem amor tão forte e perfeito, pois correspondido, já viveu dia a dia a se nutrir.

Estou eu no verdadeiro Triângulo das Bermudas Amorosas, onde tudo some e a todos intriga – ou apenas a mim e a este meu tolo coração.

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