Ah Minas Gerais… Se há um deus que fez este universo todo, Minas é seu suspiro final, de ápice contemplado, de gozo! Terra fértil onde cocô de passarinho gera árvore! Água em abundância que corre, que desce, que lava, abençoa… Tem passarinho que não canta, gargalha! Tem cidade onde “todo mundo é d´Oxum, homem, menino, menina, mulher”! As palavras são inacabadas, todas miudin, juntadin… Café quentin, direto dopé, deixando o gostin do que ainda vem.  E prepara! Porque vem!

Estou no avião agora, com borboletas que me tomam todo o aparelho gástrico… Gosto de sentar na janela, ver São Paulo diminuir, chegar nas nuvens, passear no que se desfaz, até Belo Horizonte me tomar a visão. Chegando na capital mineira, sempre penso na resposta do que faz ele rir… Ele sempre comenta que ao ouvir o comandante do voo falar sobre possibilidade de pouso na água, ele pensa quão errado tudo deve estar… Não há oceano entre SP e BH! Mas sempre que o avião sobrevoa às águas mineiras me lembro do que responder-lhe. Mas eu esqueço…

Esqueço de tudo quando aquele trem (que é o avião) estaciona. As pessoas se levantam numa ansiedade, formam uma fila no corredor até a porta abrir! E demora um bocadin pra isso… A ansiedade alheia me acalma um tanto. Sou sempre uma das últimas à descer, e uma das poucas a tremer um sorriso largo, impossível de esconder! Desembarco e sigo para a saída pensando se consigo segurar o xixi até que as borboletas cessem, mas não. Não dá! A parada no banheiro parece esticar ainda mais o tempo  que me afasta daquele que me aconchega. De quem me leva às nuvens, me arranca do chão e me jura um mundo lindo, sem corrupção!

A porta da saída abre e num instante toda aquela gente parece sumir. Nossos olhares se encontram numa precisão… Como num raccord de uma montagem surreal, porque tudo some ao redor, é nossa presença leal. As pessoas se desintegram e a música da orquestra ao vivo preenche o espaço que nosso beijo não consome. De lá pro alto de Belo Horizonte tudo parece ter outro tempo, necessário para entrarmos numa outra realidade, onde o horizonte é montanha (belo!), os pés são livres, roupas inúteis e todos os problemas do mundo são facilmente solucionados. Toda dor é prazer e todo som é música. Todo vinho mata sede até perceber que o tempo não joga… Ele bate na porta e despenca dinheiro, moral, regras e desequilíbrio social, num jato bravo por ser ignorado. Mas ele passa, e percebe depois que uma boa pausa também lhe é necessária; e ao mesmo que exige o retorno, ele provoca à começarmos tudo de novo.

É este gosto que Belo Horizonte tem… Do primeiro encontro à despedida doída até o próximo tempo que vem.

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