Sertão-estrada

Sonhava viajar lonjuras, passear o mundo. Na impossibilidade de fazê-lo pelos meios mais concretos, vá lá, as palavras lhe serviam de meio transporte.

Roseando, chegou nas Gerais. Belo Horizonte? O quê! Queria mesmo era sertanear. Do Mutum aos Tucanos, pelo interior e pelas cores mais bonitas queria fazer caminho. Nunca entendeu o que se via de bonito em cidade, que as coisas mais lindas estão retiradas. O verde do mato, o colorido da arara, o corre-corre do rio.

Das cidades todas, aquela que deve ser a mais melhor é a do Coração, aquela Cordisburgo, onde um padre inventou nome e um menino contou primeiras estórias. E só de ouvir o que o eco de páginas descrevia, já se fazia nostálgica daquilo que nunca vira. Pode alguém ser de um lugar e outro?

Enquanto se vai com os vaqueiros, chegam os cachorros, ficam rodeando. O gato vem sentar preguiçoso na porta. É o Sossõe? Não importa. O sol entra com cheiros de memórias que nunca teve. É possível ter várias gentes dentro de nós.

Quando o livro se fecha, demora minutos pra saber onde se encontra. Já ouviu dizer que o Sertão fica em toda parte. Lonjuras à parte, que seja aqui ou seja lá, coração se enche de saudade de tudo o que não foi com ela, mas com os outros. Aqui e lá, ela é muitas gentes: gaúcha, paulista, catarinense, mineira. Coração é que vale de morada pra alma da gente.

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