[Ilustração do autor]

A partir de um experimento científico cuidadosamente planejado pelo Surfista de Celofane, uma equipe de super-heróis foi gerada para defender o mal do mundo, quero dizer, defender o mundo contra o mal, a ignorância, o conservadorismo, lutar pela criatividade, e principalmente pela harmonia entre as pessoas. Afinal, seus poderes só funcionam se estiverem unidos! Fraternalmente enlaçados!

Pois bem, assim foram criados os ENLACIGADORES! Não tão poderosos como deveriam ser, devido à falha na conjunção astral propiciada pelo atraso de mais de uns 15 dias do Surfista para juntar os ingredientes e declamar os mantras finais, o que fez com que o ritual ocorresse só no ano seguinte, gerando alguns defeitos de fabricação. Mas nada que comprometa a função originalmente prevista do encantamento.

Porém, todos os esforços do Surfistinha Atrasildo iriam pelos ares, não fossem as capacidades sensitivas do Cigano Gamer! Ele bizoiava em sua tenda da Campus Party [mega evento de tecnologia que ocorre todo início de ano, e onde ficam acampados trocentos nerds viciados em computadores] seus instrumentos de vidência, sem imaginar que, desta vez, o futuro reservava a ele mesmo algo tão grandioso…

Não seria mais uma previsão para os amigos, os colegas, o chefe, o vizinho, os parentes, o cachorro… seria para ele mesmo! Oh! Que sorte! Enfim, ele foi contemplado com os mistérios do tarô! Será que ele conseguiria vencer todos os adversários de sua guilda liderada pelo elfo-orc mago-guerreiro de 67º nível? Opa… não, na verdade a revelação não se referia à essa parte tão vital de sua vida, mas sim… (há outra?) à super-equipe da qual ele faria parte, e ajudaria a salvar o mundo! Guiando a tecnologia informacional para o lado luminoso da Força!

Sim… Ele estava observando-os, cada qual no seu quadrado. Intuitivamente, lançou a cada um seu sinal ardente. Era forte demais, doloroso! Direto nos cérebros dos heróis. Porém, ele não estava acostumado a lidar com gente, só com videogames e avatares, fazer o quê?

Monstro Gigante na Tóquio Brazuca

Sinal enviado, o sensitivo tarólogo campuseiro logo desfaleceu; mas ao menos sua missão tinha sido cumprida; a convocação de seus pares tinha sido feita. E já não era sem tempo! Logo, as TVs começaram a transmitir ao vivo a invasão de um gigantesco monstro mortífero que invadia a Avenida Paulista, em pleno coração econômico e cultural da cidade de São Paulo, a Tóquio das Bananas!

A criatura era difícil de descrever. Parecia uma lesma do tamanho de uns 6 andares de um prédio, que se movia devagar, enquanto esmagava todo mundo na rua. Era bem fácil, mesmo para uma lesma lerda gigante. Afinal, todo mundo estava perdido e alucinado, brisando e espiando, em seus respectivos celulares, as atualizações nas linhas do tempo de todos seus 246.258.963 amigos das suas 7 redes sociais, situação agravada pelo impacto ZapZap (onomatopeia que nomeia uma espécie de raio desintegrador de mentes, bom senso e concentração para trabalhar e estudar).

A chacina era horrível demais, meus senhores e minhas senhoras. Como se já não bastasse a pandemia que o mundo sofre viciado em burrophones, a Lesma da Destruição estava piorando tudo! Sua couraça, ainda por cima, era inatingível. Pois a criatura era toda coberta de notebooks, monitores LED e de plasma, exibindo intermináveis atualizações de linhas do tempo de redes sociais, uma mais estúpida que a outra, o que era algo especialmente viciante para a população! Sem falar na programação de reality shows, seja de cozinheiros ou de simples vagabundos!

Bruxa Profa Corvinha do Sul, é claro, já estava pega pelo efeito imobilizante da fera. Afinal, onde já se viu algo tão curioso como esse monstro? Era algo de realmente se admirar… Olha só como o brilho do sol bate nos monitores… que lindo. E as babas do verme vão se espalhando pela avenida. Tão bonito.

Ah, pobre Corvinha! Ela estava prestes a ser esmagada pelo monstrengo… Se não fosse a ajuda providencial, no último momento, de Buraco-Man! Sim! Ele, ao se deslocar para chegar até o perigo, sinalizado pelo gamer vidente, acabou pegando um atalho umbral que o levou exatamente bem à frente do Vermão! E quem estava lá? Nossa Bruxinha, toda admirada com a situação… Tão lindo… Esse reflexo… Essa baba… 🙂 Mas calma aí, Bruxinha! Buraco-Man já te leva a um lugar seguro através de seus buracos profundíssimos! Opa! Cadê vocêeeeeeeeeesss?????….

Os Paladinos das Palavras

Ahá! Eis que chega imponente, flutuando entre versos duramente elaborados, o poderoso Uni-verso-do-Cor-Ação! Ele é simplesmente o nosso Guru da Esperança! Poeta do Horizonte! Sabe de tudo! Até do que não sabe! Direito, poesia, culinária, física quântica, sânscrito, mecânica, botânica, etologia, marcenaria, deontologia, e tudo o mais! Não há limites! Mas aguardemos que Ele chegue a um veredicto quanto à análise da situação! Ela merece todo o cuidado para uma conclusão apurada!

Enquanto isso, também nos chega… Amazona de Virgem! Nossa paladina pocotó de armadura e espada! Tremei, abusadores de vírgulas e crases! Ela está aqui para colocar ordem no pedaço!

Pois, a primeira coisa que ela nota é que o nome de nosso honrado Poeta do Horizonte está escrito com hífens demais. Afinal, por que “Uni-verso-do-Cor-Ação”? Vamos eliminar esses hífens em excesso, que está tudo errado. O correto é “Universo do Coração”. Afinal, nossos diletos estudantes das Letras brazuquinhas já tanto sofrem para saber se é pra colocar ou não o sinal diacrítico – também conhecido como bendito tracinho -, pois vamos inventar ainda mais jeitos de se enfiar tracinhos por aí? Ah, não. Nem pensar.

Vejamos, pois. Segundo o Acordo Ortográfico, não se separa com o hífen as palavras que, com o uso, já adquiriram noção de composição. É o caso de “pontapé”, “girassol” e “paraquedas”, por exemplo. Ressalte-se, certamente, que, em formações quando o segundo termo inicia com “h”, por exemplo, utilizamos o hífen. É o caso de “sub-hepático”, “geo-história”, “neo-helênico”, “extra-humano” e “super-homem”, ou ainda “semi-hospitalar”.

Contudo, tal foi a irritação no sermão gramatical de nossa querida e bem-intencionada Amazona, que a concentração estratégica do Poeta do Horizonte foi perdida!

Aliás, neste ponto, o Vermão já estava perto demais de ambos! E agora? Ahá! Agora foi a vez de nossa querida bruxinha salvá-los! Montada em sua vassourinha, num rasante digno duma final de Quadribolotas, agarrou os dois pelo cangote! E lá foi ela subindo, subindo, subindo! Uhú! Mas… opa? Cadê eles? Ela se esqueceu de que seus braços não são assim tão fortes para conseguir carregar dois poderosos Paladinos da Esperança deste modo! Deste modo… Lá estão eles! Caindo… caindo… caindo! Será uma tragédia?

É claro que não! Estamos falando de uma bruxa!

– Aresta Momentatum! Ascendidatum!

Pronto! Palavras mágicas devidamente ditas, nossa dupla de heróis há pouco ameaçados teve sua perigosíssima queda suavizada, até passarem a subir, subir, subir! 🙂 Viva! Mas… opa, opa, opa… E agora? Como fazer para que desçam? Neste ritmo, vão é queimar no Sol! E eles nem tinham levado filtro solar! Ah, claro! Após a bruxinha descer com sua vassoura delicadamente em um prédio próximo, foi só dizer:

– Acciolium!

Pronto! Perfeito! Os dois guerreiros das palavras pararam de subir e subir, agora passando a rumar para baixo, diretamente para o terraço do prédio onde repousava a dona da varinha de condão! Viva! Salvos! Mas… opa, opa, opa… Estão indo rápido demais… vão bater… não! Bateram. Nocaute dos três heróis, infelizmente. Bem.. câmera, por favor, corte esta parte, sim? Vamos ver outra cena da batalha…

Esperança… Ou do Fogo para a Frigideira?

E… aí vamos nós! Quem vem lá, quem vem lá? Ahá! Nossa preciosa femme fatale Lady No to Notebooks! Com suas lâminas afiadas e campos energéticos desintegradores de eletrônicos, era realmente quem mais deveríamos rezar que aparecesse numa situação destas! Quem melhor para derrotar um Verme Encouraçado coberto por notebooks e LCDs do que ela? Sim! É nossa heroína! Uhú! Em minutos, boa parte da cobertura eletrônica do monstro estava devastada, o que favorecia o trabalho da polícia, apesar de que a força tática da cidade ainda estava amedrontada.

No to Notebooks já estava feliz de ver sua destruição digital! Aliviada! Cantando vitória! Hinos feministas se juntavam ao seu clamor! Até que o monstro, irritado, acabou assumindo outra forma… Não!!! Com essa ninguém contava.

Ele passou a se cobrir de… livros!!! Oh, sim. Livros. A população, pobrezinha, ao ver essa evolução do monstro, não resistiu. Enfim, havia esperança para nosso povo. Nosso Brasil, que estava tão hipnotizado com os eletrônicos super interativos… Agora sabia que tinha no que confiar. Livros! É claro. Livros. Sempre aprendemos que livros devem entulhar as casas a todo custo. Livros são a fonte do conhecimento. Um país se faz de livros. “Um livro aberto é um cérebro que fala”, dizia o nosso poeta dos escravos.  E mais:

“Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.”

Todavia, não eram livros quaisquer, o que faziam as vezes de couraça renovada de nosso querido monstro, como se fossem dentes permanentes, e os eletrônicos fossem os dentinhos de leite. Não! Não! Não! São os dominadores, viciantes, malignos e diabólicos LIVROS DE YOUTUBERS E LIVROS DE COLORIR! Aaaaaaaaaaa! Quando julgávamos que o Inimigo havia enfim sido conquistado… Ele nos prepara um ardil. Utilizando nossa mais querida arma contra nós. Por isso, é que lembramos: não adianta uma forte materialidade contra uma fraca alma.

Esperança… Ou do Fogo para a Frigideira?

Opaopa, falou em almas? Uahaháháháhá!!!! Aqui chega o Ladrão de Almas, também conhecido como Capitão Silogismo Mortal! Uaháháháhá! Onde tem uma alminha aí pra ser roubada? Heim? Heim? Hahahahaha!

Não! Ele é o nosso comandante, é o nosso capitão! Porém, tem um fraco por almas que estejam em evidência muito grande por aí… Ele precisa de um respiro… Precisa relaxar a cabeça… Precisa repensar seus conceitos… Precisa de um aroma proporcionado pelos poderes de Lírio Indomável!

Sim… Curtamos todos juntos um Réveillon Zen… Enquanto flores, belas e perfumadas flores nos rodeiam. Tranquilos. Capitão, você não precisa roubar a alma de ninguém. As almas são das pessoas. Você já tem a sua e ela já lhe é suficiente. Sim… Isso…

Nesse momento, o campeão Uni-verso-do-Cor-Ação já teve tempo de se recuperar do impacto de sua última queda. Ok, está tudo sob controle. Vamos escrever um poema em homenagem a este momento. É tudo de que precisamos agora. Ainda mais com este aroma tão sin-estesica-mente belo-colorido.

Desapego e Atraso 

Aroma? Perfume? Falou em um forte perfume pelo ar? Chamou Desapegadora Livresca! Ahá! Sim! Agora é que o Vermão vai ver! Os poderes desta heroína são exatamente o que precisamos numa situação destas. Ela, após tantas viagens pelo mundo, dormindo ao lado de esquimós, havaianos, nativos das Ilhas Fiji, pigmeus, e assim por diante… Ela alcançou a Iluminação! E sabe muito bem que o maior princípio do Uni-verso é a DESAPEGAÇÃO! Pois, como viajar, como correr, como apreciar a vida em tudo que nela há de belo, apegando-se e pegando-se a tanto a tantos, sejam coisas e alguéns? O que vale são nossas emoções. Nossas experiências. Nossos sentimentos. Nossa criatividade! Por mais que não acreditemos em nosso poder…

[Neste momento, o Surfista de Celofane pressente a hesitação de sua amada. Porém, ele ainda está a anos-luz do local da batalha, ainda que viajando ubericamente a toda velocidade de seu veículo brilhante. Sim, ele sabe que utilizar tal recurso galáctico vai lhe fazer gastar economias plasmáticas que já não possui… Mas não há o que fazer neste momento. Apenas preocupar-se e rezar, é o que pode fazer. Porém, não tinha outra escolha. Pois precisava encontrar e levar na mochila um livro sobre os Princípios da Alquimia, além de O Guia do Mochileiro das Galáxias, sem falar nas Crônicas de Nárnia, e no livro dos animadores da Disney The Illusion of Life – nada de mais, apenas uns 15 quilos na mochila a mais. E precisava checar como estavam os seus projetos, incluindo os grupos de defesa dos animais, de motivação dos escritores, sem falar nos concursos de artes. E… bem, ok. Deixa pra lá, já deu pra entender como estava crítica a situação aqui, né?]

Enquanto Desapegadora hesitava, e Surfista se arrependia por não ter levado menos coisas na mochila, Amazona de Virgem voltava à ativa, combatendo o monstro com todas as suas forças! Sua espada destroçava as páginas dos temíveis Livros de YouTubers e também dos odiosos Livros de Colorir! Porém, nada parecia surtir efeito permanente… Pois a cada livro destruído, outro brotava no lugar. E a multidão paulistana cercava enfurecida a Virginiana, sem compreender a revolta! Seu coração pulsava bom-caráter em sua pura missão em honra às Belas Letras.

Neste momento, Buraco-Man volta com um braço salvador, puxando Amazona para mais um de seus Buracos Encantados! É certo que ninguém sabia de onde vinham esses buracos, nem mesmo o próprio teleportador. Talvez de algum desenho do Pernalonga. Seria o mais provável. O único efeito colateral negativo era a crise de riso idiota coringuesca pela qual passava cada um que atravessava o portal… Mas isso era o de menos, considerando-se a turba dominada pelos poderes hipnóticos dos Livros Malignos que cobriam o Vermão!

Os Argumentos Fulminantes

Nesse meio-tempo, o Capitão Silogismo Mortal, já com a consciência devidamente restaurada graças à fragrância terapêutica de Lírio Indomável, já podia ajudar! Sim, dependíamos de Desapegadora Livresca, sem a qual, como livrar-nos desses Livros Malévolos que açoitavam a mente da nossa triste população de mente fraca?

Assim, eis que entram em ação os superpoderes do Mestre Silogismo, nosso incrível Comandante Cronológico.  Ele, que sempre regula nossos dias, ele, que tem a conexão direta com Saturno, o Mestre do Tempo. Só faltava pedir uma chuvinha, porque o tempo aqui tá muito quente. Aliás, esquece, o Brasil sempre tem chuva, e chuva demais no verão, e vai destruir tudo, alagar as ruas das metrópoles e soterrar as favelas dos morros.

Pois bem, com a inabalável capacidade filosófico-argumentativa-temporal de Ladrão-Comandante-Silogista-Cronista, não havia como Desapegadora escapar. O torpor da indecisão que lhe corroía mente e corpo estava rompido. E a turba que se deleitava no mundo de cores e vídeos fantasiado pelos Livros do Mal que cobriam o corpo do Monstro… agora estava livre!

Pois a velocidade produtiva (ou, no caso, desprodutiva) de Desapegadora, quando livre de seu torpor, era mais rápida que os olhos. Em poucos segundos, todos os Livros Malignos estavam desintegrados. E ainda por cima, antes de destruir cada um, deu tempo de ela ler tudo o que estava escrito neles, porque ela tinha muita curiosidade e não resistia à leitura de ao menos 374.403 livros por minuto. Ainda que não houvessem letras para serem lidas em parte destes livros, é claro. Mas quem disse que não podemos ler imagens?

Aparentemente, a batalha agora estava ganha. Ou não? Claro que não! Apenas havíamos destruído as duas formações de couraças do Verme Gigante! Mas ele ainda era um Verme Gigante de 6 andares de altura!

Isso era fácil de resolver agora. Nosso poderoso e mitológico Uni-verso-do-Cor-Ação, ao longo desta trama, conseguiu definir sua estratégia. Iria utilizar suas palavras encantandas para confundir e paralisar o monstro, até entrar em coma. E foi o que fez! Começou por manifestar suas expressões INAUDITAS na existência. Falou ao monstro sobre as possibilidades do Carinho do Mundo, abraçando sua Existência. Solicitou ao Monstro que refletisse sobre o Verbete que seria caso se localizasse num Dicionário da Vida. Reiterou que deveria Escrever no (Im)possível. Buscou persuadir a criatura a abrir a existência para olhos perplexos diante do thaumázein grego. Desenvolver olhos poéticos para uma nova vivência única. Com força Uni-verso exuberou o Manifesto da Vida, em perfeito fluxo de consciência. Por fim, liberou sua palavra mágica mais sagrada, importante e poderosa: SHAAAAAAAAKYONTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!

Surfista Celofane chegou atrasado. A batalha já terminara. 😦 Todos os seus planos de batalha… Todo o equipamento que trouxe… Os poderes animalistas e os poderes enroladores… de nada serviriam, exceto para seu discurso à posteridade. Não teriam, na prática, mais qualquer utilidade. Mas tudo bem! A poderosa e imbatível fera, aliás, pelo visto não tão imbatível assim, estava prostrada. Seus amigos estavam bem. É preciso olhar o copo meio cheio, não o copo meio vazio. A Avenida Paulista, berço de nosso herói em sua versão terráquea, estava destruída, é verdade, mas o monstro não vivia mais, graças aos esforços unidos de todos os nossos heróis. Sim. São eles. OS ENLACIGADORES!!! OU A ENLACIGA DA LITERAJUSTIÇA!!! OU… [Ah, enfim… chamem como preferirem… Só preciso comer alguma coisa logo porque corri demais por este cosmos por uma trilha espacial longa demais, e agora preciso comer. Onde tem um por quilo por aí? Ou um boneco que seja? Serve arroz, feijão, salada e batata-frita. Sim, sem mistura. Não, nem frango. Nem peixe. Nem ovo frito. Porra, eu falei que só quero arroz, feijão, salada e batata-frita, car%#&o!!!!!!!!!!!!! Aliás… Tô alucinando. Onde é que vou pedir essas coisas se todos os botecos da avenida do meu coração já foram devastados?]

 

***

Ah… Vocês devem estar curiosos, claro. Quem vos fala? Sou O Prof. Dr. Guardião das Sombras… O Mestre das Memórias. O Vigilante de Exu. Sim, eu a tudo acompanhei. Mas não, eu nada faço de prático. Pois não devo interferir. Portanto, não me culpe se não atuei nesta batalha. Ou em qualquer outra. Apenas observo. É esta a minha missão, e somente esta. Alguém precisa ver, ouvir e sentir, para registrar. E preservar as memórias destes minúsculos seres terráqueos… Para a Eternidade. Para que ninguém esqueça. Até que chegue o momento dos Ensinamentos. Em honra ao povo negro, que represento. Com a força de Onilê e Oxalufan. Povo devastado… atuo em sua memória. Exu manda lembranças e vai me mandar transmitir tais registros. Na hora certa. Caro ouvinte-leitor… Ainda voltaremos a nos encontrar. E mais rápido do que imagina.

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