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Era apenas um dia comum, em uma casa comum, que residia em uma pequena e pacata cidade comum, toda boa história começa assim, até surgir algo que tirará tudo do normal. Esse objeto em questão nessa pequena crônica cotidiana que conto a vocês é menos peculiar do que podem imaginar, e mais quadrangular também.

O garoto acordou de manhã, o que não era muito habitual, e correu à porta da frente ao ouvir o som da campainha tocando. Porém ao chegar ao destino de seu pequeno trajeto, descobriu algo estranhamente inesperado, não havia ninguém a frente da porta. Ele estranhou. Saiu. Olhou para todas as direções para apenas constatar o mais óbvio, não havia realmente ninguém lá, ninguém, apenas um pacote no chão. O jovem então pega o pacote em suas mãos e o examina, era uma caixa, tão quadrada como qualquer outra, embrulhada com um papel de presente brega cheirando a mofo e naftalina, parecia com algo que uma de suas tias do interior te daria de aniversário ou natal. Ele estranha aquilo, pois não havia nenhuma festividade e seu aniversário seria, na realidade, dali a alguns meses. Mesmo assim levou o presente para dentro e fechou a porta atrás de si, e ao olhar o embrulho direito descobriu que nele havia um pequenino cartão, quase passado despercebido por conta da estranheza da embalagem e ainda mais da situação, no papel havia para quem era o pacote, mas não dizia quem o havia enviado, o presente era para o garoto, mas ele se perguntava “quem poderia ter sido o remetente?”.

Às pressas o rapaz se jogou no sofá e ligou a TV, deixando a embalagem repousar sobre a mesa ao som dos tiques e dos taques do relógio de parede que ali havia, as horas foram passando e parecia haver um ar de impaciência sob o pacote que ainda não fora aberto, uma inquietude e ansiedade que parecia vinda daquele pequeno objeto inanimado, mas o menino nem parecia notar, até o presente momento. Uma onda de aflição e preocupação invade a mente e corpo do garoto que sente calafrios ao olhar a hora e perceber que sua mãe ainda não havia chegado em casa, ainda que parecesse estranha a situação e a reação para o momento, o jovem lembrou-se do não tão pequeno pacote que fora deixado a sua porta mais cedo e ele ainda não havia aberto.

Receoso, o jovem se aproxima da mesa, e lentamente puxa e solta a pequena fita vermelha que enfeitava apenas esteticamente o presente, mas não possuía nenhuma utilidade real. Ele rasga o papel de embrulho cafona, para sentir um leve cheiro de creolina, naftalina e formol vindos da caixa marrom desbotada que havia na sua frente agora. Sem hesitar ele puxa rapidamente a tampa da caixa para revelar o seu tão misterioso e peculiar conteúdo.

Dentro da embalagem havia apenas um dedo aparentemente falso, com groselha escorrendo dele, o rapaz riu e no dado momento ficou repassando em sua cabeça quem poderia tentar lhe pregar uma peça tão mal feita, então foi que ele viu, havia um papel no canto da caixa. O menino pegou o papel e o abriu lendo naquele pequeno pedaço de folha escrito com letras recortadas de revistas a seguinte frase:

“Estamos com a sua mãe

Se quer ver ela de novo

Leve todas as joias do cofre pro parque as 18h”

Ele olha para o relógio, e é como se o relógio o olhasse de volta marcando em seu rosto inanimado: “19h”.

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