Foi-se o tempo de ser árvore! Mesmo sem entender, não importa…. Poste!

Foi-se o tempo de ser gente! De criança se desenvolve pra ser indiferente!

Gente robô produz agora em laboratório. Não tem minhoca, não tem cocô, não tem mosca… Nem sê contraditório!

Vegetal patenteado, morango o ano inteiro. Não precisa mais de sol, nem de chuva pra semeio. Altera um gene aqui, isola um elemento acolá e logo, de tudo se faz de um todo!

Todo que não é pra qualquer um! Foi-se o tempo de caridade. Agora sobrevive a individualidade! Há ainda quem lamente, quem planta, quem tente… Mas nem terra pra quem compra se sente.

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Foi-se o tempo de pisar no chão descalço, ouvir zumbido de mosquito e tê de comer o bagaço! Fruta sem semente, casca diferente… Tudo protegido, embalado e resistente. Até a gente!

Sem nada que se sente, ta tudo na mente, programado antecedente. Já se sabe o que se nasce, não se espera o que se passe, não machuca, não magoa, não mente. Não ri, não se apaixona… Não se sente! Sentimento não palpável, não concreto… Desconfia, ta doente!

Da arte e da história um arquivo é suficiente. Fica tudo guardado na nuvem…

… Minha avó contava que nuvem era um punhado branco que flutuava no céu, que podia-se ver, mas nunca pegar. Tinha formatos do que cada um podia enxergar… Quando cheia de água, cinzava até esmuecer de chorar. Subia da terra um cheiro que ela nunca conseguiu explicar… Era um cheiro verde… que sempre a fazia chorar.

Ninguém me deixa falar, mas sei das águas que pingavam do seu olhar… Explicam a dor que fazia o corpo chover, mas o sorriso da velha me davam outro entender…

Não se sabe, não se fala, não se diz sobre isso. Nosso tempo neutro é de serviço!

Ainda precisamos dormir, e é aí que mora o perigo! Dos sonhos da gente, que ninguém controla, conta uma porção de imagens de outrora… Se não vem do passado, vem de onde isso que descanso não controla? Também não se comenta… A multa pra quem compartilha sonhos só aumenta…

Quando muito abstrato reinicia. Nem escrever isso eu devia…

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