Neve era dona de cabelos tão brancos que brilhavam. Seus olhos de gelo tinham o brilho mais frio do mundo. Seu pai, o Inverno, amava-a incondicionalmente e cuidava dela com todo o zelo, enviando nuvens cinzentas para protegê-la e correntes de vento para diverti-la.

Houve um dia, porém, em que uma nuvem distraída deixou que a Neve vislumbrasse um raio dos cabelos dourados do Sol. Seu coração estremeceu e ela se apaixonou pelo brilho e pelo calor daquele raio iluminado.

Pediu ao pai, a todo custo, que a deixasse vê-lo, mas ele recusou o pedido e ordenou às nuvens que evitassem esse encontro.

O Sol, no entanto, havia visto a Neve por entre as nuvens e imediatamente se encantara pela sua beleza. Por isso, esforçou-se para ter novamente uma visão dela. Usou seu calor para lutar contra as nuvens, que pareciam cada vez mais fechadas.

Foram dias de luta até os dois apaixonados se encontrarem. Afastadas as nuvens, se miraram, e num beijo selaram seu amor. O toque de seus lábios foi demais para a frágil Neve, que se consumiu no calor de sua paixão.

O Sol queimou ainda mais forte, frustrado com  a perda de sua amada. Sobre o que restou dela, seus raios incidiram, fazendo brotar flores.  Filha dos dois amantes intocáveis, a Primavera nasceu, em mil cores diferentes.

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