Arrasaram com tudo
a velha paisagem da minha Infância
a Menina pendurada na árvore
perdeu o  balanço
ficou sem chão.

As Mãos de barro
corrompidas pelas cinzas
o porta-retrato familiar da moça suicida
aliança de um jovem casal
mais uma história mal contada
crônicas cinzas do jornal.

Antiga madeira apodrecida
entre palmeiras e vinhedos
a cozinha verde abacate
a compota de figo, café fresquinho, pão caseiro
o grito da radiola aos domingos
copos de leite traçado num prato ornamental.

A cor amarelada dos santinhos
A língua quase morta dos que longe
escapam
transformaram-se em brasa.

O que se chama casa
agora é Fogo
é Fumaça
nao é nada.

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