_ Porque é a questão de sempre. – levantou-se e dirigiu-se para o espaço vazio, perto do guichê.

Estava sentado, esperando a hora de ser atendido. Percebi que havia um grupo com características diferentes da nossa, pouco urbanófilos, apesar dos celulares. De repente, entrou um feixe de luz e foi direto em direção a um deles.

Um senhor, ao meu lado, fez uma expressão de estranhamento misturada com espanto. Foi um acontecimento muito rápido, as pessoas distraídas em seus aparelhos não notaram. Eu quase não acreditei, contei com o testemunho da cadeira contígua a minha. Ele ficou um pouco paralisado, mas a sua fisionomia voltou logo ao normal.

Entendi que era, de alguma forma, para eu me dirigir àquela cadeira vazia, perto do indivíduo de bermuda com dois celulares. Primeiro, pensei que fossem da colônia japonesa, mas logo vi os desenhos em seus braços. Com certeza, eram alienígenas! Logo vi que não eram tão estrangeiros assim, havia um museu perto, eles estavam participando de um congresso. Agora ficou clara a preocupação deles com o depósito que ainda não tinha caído na conta.

_ Por que a questão não foi resolvida? – perguntei-lhe de supetão. Ele levantou-se, depois agachou-se perto do guichê, e disse de uma forma, como se eu fosse o alienígena:

_ Porque é a de sempre.

Fez um desenho imaginário no chão, mostrou onde ficava o céu, depois a nave descendo, em seguida a construção da aldeia.

_ Aqui, está vendo? Fica minha aldeia.

Depois, traçou uma linha com o dedo, indicando que havia uma fronteira, existia uma marcação bem compreensível para ele.

_ Está vendo? – continuou ele – A cidade está invadindo nosso território. Estão perto demais!

Fiquei parado alguns segundos, tentando entendê-lo, sem nenhuma ação, sem argumentos. A minha pergunta soava impura, com uma arrogância disfarçada de ternura. Ainda tentei continuar a conversa.

_ E agora?

_ Agora? Sei não. Vou pegar minha nave e tomar outro rumo. – disse.

A conversa já estava ficando esquisita demais, fui salvo pelo barulho do painel, chamando-o, ele era o próximo a ser atendido.

Que alívio! Eu com a mania de puxar assuntos… Melhor ficar conversando com os meus personagens fictícios. Esses verdadeiros dão muito trabalho! Parei de olhar para os desenhos nos corpos daquelas pessoas e fixei os olhos no painel. Serei o seguinte, serei o seguinte, serei o seguinte…

_ Porque a questão é a de sempre. – levantou-se e dirigiu-se para o espaço vazio do guichê, bem à esquerda.

Anúncios