(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Foi esgotado que li o conto de meu colega Michel. Michel Euclides, não o conto do outro Michel, felizmente. Conto do vigário. Você sabe, “cair no conto do vigário” é ser enganado por alguém.

Então, por mais que Michel Temer, presidente golpista do Brasil, não seja conhecido como escritor pra ficar aí escrevendo contos, certamente passou e passa o conto do vigário na nação inteira. Ou podemos compreender assim, é melhor pra nossa ficção compreender assim a História do Brasil. Um vilão único e malvado sempre facilita as coisas pro entendimento do leitor.

É claro, também pode-se compreender que a massa que apoiou a queda da primeira presidenta mulher do Brasil, e ainda numa linha esquerdista, simplesmente queria derrubar essa mulher durona mesmo. E ninguém dessa galera foi enganada.

Mas e a esquerda genuína, onde está? Dizem que “poxa, tá vendo, tinha acusações de corrupção antes, e agora que Dilma caiu, as manifestações caíram, então só queriam derrubar o PT, nossa suposta esquerda no país”. Oras, mas não são os direitistas os únicos responsáveis por fazer manifestação, né? Cadê os esquerdistas?

Devem estar como eu me sinto agora, esgotados. Cansados demais pra fazer manifestação. Assim como eu cansado demais pra escrever um conto decente. E fica este texto de enlace novamente ao sabor de crônica, porém muito mais ensaio, lembrando que, se for pra “lutar até o último de nós”… pode já não restar tanto assim infelizmente.

Pois não é só com flechas ou com tiros que se abate um ser humano, um cidadão. Mas sua vitalidade pode ser sugada ao longo de gerações, talvez já tenha sido em boa parte antes de ele nascer. Talvez cada um que aqui nasce já nasça com vitalidade negativa. E principalmente o povo que aqui existe precisaria reconstruir seu sentido de nação. Pois até pode existir o indivíduo “cada um”, mas cadê o Brasil-nação?

Tá difícil de achar conto hoje. Só consegui contar pra você que, assim como certos índios de certo Michel lutaram até o último homem, pode ser que o Brasil-nação já tenha lutado até o último sentimento; e o Maurício-escritor tenha ideias criativas já lutado  suficiente hoje, até a última ideia decente… tendo sobrado só esta. Mas vai saber se numa próxima o Maurício já melhora; assim como os sentimentos do Brasil-nação?

Aí eu termino a história, como deveria ter começado: “Era uma vez…”

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