Quantas e quais são as caras da maldade? eu me pergunto
Com o rosto virado para os noticiários,
Desprezando os abutres que se alimentam do sangue
Que pinga dos acidentes e atentados pelo mundo afora

Qual o valor da vida humana? eu me pergunto
Com o coração em pedaços pelos estilhaços
Dos parabrisas de carros, dos fragmentos de bombas,
Dos aviões e dos edifícios,
Dos cartuchos deflagrados

Em qual lugar dói mais? eu me pergunto
Na África, na América, na Europa?
Será que vale a pena comparar as desgraças?
Será que vale a pena decidir o que é mais chocante?

Qual o tamanho da insensibilidade
Da insensatez
Da hipocrisia?

Sofremos juntos. É na dor que a humanidade se aproxima,
Mãos dadas, pensamentos e orações. Não importa onde, como, quando,
Cada morte é uma perda. Cada perda é irreparável.
Quem nos faz sofrer assim não se importa com fronteiras,
Seja qual for seu extremismo. Então por que devemos ser assim,
Territorialistas,
Em relação ao que nos fere, mata e mutila?

Quem somos nós uns para os outros? eu me pergunto.
Nunca estivemos tão próximos
Nunca estivemos tão distantes…

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