O ser humano chegava em Marte. Era capaz de implantar colônias no Planeta Vermelho. Ainda assim, parecia se repetir a história de perseguição e insistência na dominação, desde o tempo da espada, da cavalaria e das caravelas.

Havia séculos que a República lutava para se erguer e se manter. Mas sempre havia um Gran Hermano “cariñoso” insistentemente argumentando que nós éramos “sua família”, que deveríamos manter-nos sempre “unidos”, jamais nos separar. Que ele precisava tomar conta de nós. A argumentação nunca passava de coisas como “sempre estivemos juntos”, “a união indissolúvel está na Constituição”. Sim, é claro que sempre, desde que nos dominou, estivemos juntos. Claro que está na Constituição que nos obrigou a aceitar.

Como se não fôssemos inteligentes o suficiente para perceber que esse discurso apenas servia para iludir os inocentes, apenas tentava encobrir a gula territorial e cobiça de nossos recursos humanos e patrimônio financeiro.

Ou parecia até relacionamento abusivo ou stalker, quando o namorado ou namorada não se dá conta ou se faz de desentendido que o outro não tá mais a fim. Desgruda! Sai, chulé!

Todas nossas leis progressistas que tentávamos fazer, por uma sociedade mais justa e funcional, simplesmente eram abolidas pelo cariñoso Gran Hermano. Claro que os milionários não poderiam contribuir para a população mais desfavorecida com taxação maior de suas riquezas. Claro que não poderia haver proteção para as pessoas que perdessem suas casas.

protesto catalunya
Associated Press

Em mais atos covardes de repressão… além de ter cruelmente espancado e arrastado nossa população que simplesmente se manifestava e tentava demonstrar participação política, o Gran Hermano acabou por prender nossos líderes. Eles, que eram os nossos exemplos de liderança, eles que tiveram coragem para dizer e fazer o que queríamos. Estes sim, eram nossos verdadeiros Companys (irmãos e irmãs), nossos Germans Grans (irmãos mais velhos).

E não só os prenderam “preventivamente”, como decidiram, com o apoio de sua Justiça tão “indefectível”, tudo em nome da democracia e do “Estado de direito”… executá-los. Eliminá-los. Pois não bastava mais controlar nossas leis e nossos territórios, também nossas vidas queriam controlar, dar e tirar conforme fosse de seu agrado, conforme os agradássemos ou não; consideravam-se deuses. E todas as regras pra eu aprendido.

Aí fomos, com pesar e luto por nossos presos políticos assassinados pelo cariñoso Gran Hermán… partimos para Marte. Na verdade ninguém queria se arriscar a ir ao Planeta Vermelho. Voluntários eram difíceis de se arranjar pelo mundo. Mas talvez valesse a pena tentar nossa República ali. Só não contávamos que a perseguição voltaria a ocorrer. Até em Marte.

Diante disso, contamos com um projeto escondido e desenvolvido aos poucos, havia tempos: El Drac de la Justicia.

{… continua…}

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