Trem era ali fantasma. Nos trilhos tomados de mato, não se partia nem se chegava mais a bordo de nada que não fossem as próprias pernas. As de Augusto sabiam bem seguir a linha de ferro, conduzindo para um país de verde e colorido.

O menino era dado a andanças muitas, principalmente quando não tinha os primos para brincar. Os brinquedos enjoavam depois de um tempo, eram sempre os mesmos, mortinhos que ganhavam vida só na mão de criança. Tinha dias que cansava dar vida a bonecos, carecia de coisas vivas arrodeando.

Gostava de brincar que era o trem, o trem vivo. Corria campos até o velho trilho e seguia caminhando, sempre com um galhinho na mão, cutucando as coisas que via. O trem Augusto cheio de passageiros pequeninos. Tinha nele sempre aquelas formigas que caem de cima das árvores e joaninhas e besouros, porque sempre estavam voejando na mata. Trem ali era menino.

Num dia pálido de chuva recém terminada, o trem partiu trotando rápido pelos trilhos molhados. Destinos longes, o trem se foi mata afora, mato adentro. Só foi, nunca mais voltou. O trilho do trem só abriga fantasmas. O Trem era ali fantasma e o menino também.

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