Não esperava voltar tão cedo, ou melhor, atravessar a Baía de Guanabara. Não poderia chegar muito perto, ali era o reduto de pescadores amadores. O lugar não era mais o mesmo. Já tinha me acostumado com o museu, mas aqueles prédios que vigiavam o disco voador… Não entendia como deixamos isso acontecer… Os tubarões voadores mordiam tudo, até os corais.
A água estava turva, muito turva. Eu precisava nadar com óculos especiais; aprendi a sobreviver e também a sobrevoar os restos mortais que boiavam bem próximo da rebentação.
Ali vivi momentos muito interessantes, perto da ilha de Boa Viagem. À noite, a água entrava na gruta, e eu ia junto. Ficava um bom tempo, depois voltava para o mar com a correnteza. Gostava de ficar olhando as estrelas, o céu daquele ponto parecia conversar com os peixes.
Eu nasci aqui bem perto, antes mesmo dos franceses chegarem. Nunca entendi bem essa história dos portugueses com Martim Afonso. Arariboia, índio temiminó, querendo eu ou os franceses, está ali, bem no centro, olhando a chegada das barcas. Essas águas estão cada vez mais frias e densas e profundas…
Preciso dar meia volta, a Cidade às vezes me encanta, outras desencanto. Não sei se volto, aquela plataforma no meio do meu caminho deixa a paisagem confusa. Preciso respirar fundo para mergulhar, que fundo!

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