Ana aprendeu com uma prima certo tecer de memórias, narrativas, no formato de poesia. Durante suas andanças orientais, acabou incorporando a esse hábito a linguagem dos ideogramas, particularmente em seu formato japonês, conhecidos como kanjis (na verdade, eles são herança da China, lá conhecidos por algo como “hangdsi”).

Ela guardava seus kanjis como pílulas poéticas com certas interpretações do mundo, relacionando-os com suas próprias memórias.

Talvez um dos ideogramas mais importantes para se lembrar nesta narrativa seja justamente o da poesia. Pois é, existe um kanji para poesia. Trata-se de , pronunciado “shi”. E ele é composto por uma junção de dois outros kanjis. Sua parte esquerda, (gen), representa a fala, as palavras; a parte direita, (tera), representa um templo.

Que interessante essa associação, pensou ela. É como se, para os japoneses (e chineses), poesia fosse uma construção sagrada, divina com as palavras… E você, será que concorda que poetar seja uma maneira de transcender deste nosso universo do dia a dia? Atingir uma espécie de divindade ou estado para além daqui?

A garota dos ideogramas refletia em suas próprias memórias. Quando começou a escrever poesia? Ou ler, compartilhar poesia? Certamente desde sua infância brincava com as palavras em seu caderno, montando versos, não necessariamente rimados. Quem os lesse poderia até achar que eram puro delírio. Frases sem pé nem cabeça. Mas era sua maneira, possivelmente, de alcançar um poder maior. De produzir algo diferente. De tentar acessar e comunicar algo que nem ela soubesse.

Certamente depois houve muita poesia romântica, tentando desaguar seus sentimentos de alguma forma. Poesia de protesto também, com a qual até publicou um livro. Tudo isso certamente poderia ser colocado no templo de sua consciência. Ela não investiria seu tempo e esforço nesse jogo e arte palavreira se não fosse de alguma forma sublime e importante o que tratava…

Esse papo faz lembrar de outra sequência de ideogramas, que trazem em seu conjunto o significado de “psicologia”: 心理学 (shinrigaku). É muito bonito observar o sentido de cada um deles. . É muito bonito observar o sentido de cada um deles. (shin, kokoro) é coração, mente; (ri) é razão, motivo; (gaku) é estudo. Ou seja, parece indicar que é o estudo das razões do coração e da mente. (shin, kokoro) é coração, mente; (ri) é razão, motivo; (gaku) é estudo. Ou seja, parece indicar que é o estudo das razões do coração e da mente.
Notar ainda neste conjunto que neste conjunto que , razão, podemos ainda dividir em , razão, podemos ainda dividir em (ou), que é o rei; e里 (sato), que representa uma vila… ou até podemos imaginar um girassol. Talvez porque o rei precise de uma razão muito forte para visitar uma simples vila ou povoado que cultiva girassóis. Precisamos de razões muito fortes para movermos. Para se esforçar. Por cada ação na vida. Ainda mais quando se sofreu um abalo gravíssimo, que faz perder o sentido de continuar, como relatei antes na história do marinheiro e da ave em seu navio voador. Foi Ana que me contou essa história, pois ela a ouviu do peixe testemunha do náufrago. (ou), que é o rei; e里 (sato), que representa uma vila… ou até podemos imaginar um girassol. Talvez porque o rei precise de uma razão muito forte para visitar uma simples vila ou povoado que cultiva girassóis. Precisamos de razões muito fortes para movermos. Para se esforçar. Por cada ação na vida. Ainda mais quando se sofreu um abalo gravíssimo, que faz perder o sentido de continuar, como relatei antes na história do marinheiro e da ave em seu navio voador. Foi Ana que me contou essa história, pois ela a ouviu do peixe testemunha do náufrago.
E ela guardou essa lembrança na dupla de kanjis 心理 (shinri), “mentalidade”, juntinho do kanji da poesia, (shinri), “mentalidade”, juntinho do kanji da poesia, , e do ideograma , e do ideograma (kuru-shii), que representa algo doloroso e difícil. Curiosamente, ele junta o elemento superior, da grama, plantas, flores; com o kanji de antigo 古 (kuru-shii), que representa algo doloroso e difícil. Curiosamente, ele junta o elemento superior, da grama, plantas, flores; com o kanji de antigo 古 (furu-i). Parece querer dizer que as flores podem ser lindas e os vegetais podem ser muito bons para comer… Mas se ficarem muito velhos, principalmente se retirados de suas raízes… estragam e apodrecem. E as flores morrem, e se pode passar mal consumindo algo aí.
Ana entendeu o náufrago, porque ela também teve uma parte de si que foi embora, abandonando-a, e mergulhou no vazio depois de ter vivido alegrias imensas. Ela vive agora de tentar coletar sentidos nesses ideogramas. Precisa dar um jeito de fazer a rainha de seu coração voltar a visitar a vila de girassóis. Talvez se conseguir convencer a realeza de que a simplicidade dessas flores valha a pena. Que não é algo que encontre no palácio. Ou mesmo no jardim real, cheio de pompa.
Quem sabe ainda o estudo em si possa lhe fazer brilhar, como no próprio caso do kanji de estudo, , que é uma criança , que é uma criança (ko, shi), correndo e brincando, pulando de braços abertos para o mundo, e com uma cabeça brilhando com os novos conhecimentos constantemente adquiridos. Talvez porque o aprendizado… revitalize e rejuvenesça as pessoas. E esse caráter infantil ou juvenil que todo mundo deva preservar, se quiser mesmo continuar aprendendo e ter brilho próprio.
Outra pílula Ana guarda no ideograma de “plantar” (u-eru), junção de árvore (ki) e direto, alegria (ki) e direto, alegria (choku). Preserva a história sobre uma gigantesca árvore espacial, que aprendeu com outra a viajar e a ser livre e feliz, dispensando até suas raízes… Ana ouviu a história de sua samambaia, que soube do episódio porque as plantas compartilham essas aventuras por suas raízes. Quem sabe essa cápsula espacial ajude. Porém, como essa memória vegetal é antiga, pode ser que já tenha estragado e ficado (kuru-shii), dolorosa e difícil, com as plantas muito antigas (kuru-shii), dolorosa e difícil, com as plantas muito antigas .
Kurushii ainda são os novos tempos nacionais, que certamente precisarão também caber na pílula-ideograma de Ana. Talvez porque, apesar de novos, lembram muito certo passado sombrio ditatorial, torturador, militarista e cheio de censura do Brasil.

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