O relógio marcou 23h59min. Era o final. O esperado fim de um ano que não fora nada fácil para Maria Augusta. As circunstâncias de suas dificuldades pouco importam, você sabe o que pode fazer um ano difícil. E aquele fora o ano mais desafiador da vida de Augusta.

Enquanto o ponteiro percorria vagarosamente o espaço até o número 12, ela revia em sua mente tudo o que vivera. O nascimento do filho, difícil, doloroso e recompensador, foi o que veio à mente. No meio das intempéries, aquele fora o seu vendaval mais selvagem. Horas de trabalho de parto, a preocupação de que algo desse errado…

Mas naquele ano tão coberto de azar, o pequeno Afonso nascera perfeito. Não havia outra palavra para descrevê-lo. Era a perfeição.

Sentada na cama do hospital, ela ainda sentia todo o corpo dolorido. Ainda assim, conseguiu fazer um esforço para apreciar a face adormecida da criança, o seu pequeno recém-chegado.

Naquela confluência de finais, ela encontrava uma graça especial. Findara um ano ruim, a gravidez coberta de riscos. Dizem que todo fim leva a um novo começo. E o recomeço que aguardava por ela e por Afonso era promissor.

O ponteiro finalmente terminou seu trajeto e Augusta pôde ouvir, lá fora, o eco de fogos e comemorações. Para ela, silêncio. O filho tranquilo, agora em seus braços. Aquilo era tudo de que precisava para comemorar o ano que iniciava repleto de promessas no ar.

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Fonte da imagem: https://www.deviantart.com/hinsbins/art/New-born-and-mom-400454185